sábado, 7 de setembro de 2013

O INCESTO NA HISTÓRIA UNIVERSAL


Por João Marinho

O incesto é um dos tabus mais persistentes da história humana. Entretanto, em tempos como os nossos, em que pretensos valores universais têm sido questionados e relativizados, não deixa de ser interessante abordar um tema espinhoso – e, para muitos, excitante – como esse.


Nem tão próximos

Incesto, em uma definição simples, é a prática de atividades afetivo-sexuais entre familiares próximos, normalmente proibidas por meio de códigos penais, convenções sociais e/ou crenças religiosas.

Apesar de parecer uma definição lógica, que de imediato diz quem são essas pessoas, o assunto é mais complexo do que se imagina, pois a definição de “familiares próximos” varia de sociedade para sociedade e ao longo da história.

Há comunidades que proíbem relações apenas entre parente ligados por nascimento; outras incluem os laços de casamento e adoção; para um outro grupo, a proibição se aplica apenas a ascendentes e descendentes. Nas sociedades em que casamento e sexo são praticamente sinônimos, proibir o casamento incestuoso automaticamente é proibir o sexo. Entre os povos que fazem distinção entre ambos, normalmente a restrição é aplicada às duas esferas.


O incesto no mundo

A título de exemplo, podemos listar algumas diferenças relacionadas ao incesto em algumas regiões do globo:

- China: talvez a sociedade em que o significado do incesto é mais amplo. Lá, são banidas relações entre quaisquer pessoas que tenham o mesmo sobrenome;
- Ilhas Trobriand (Oceano Pacífico): a tradicional sociedade dos habitantes dessas ilhas é matrilinear, o que significa que os filhos são tidos como pertencentes ao clã (família) da mãe. Assim, embora as relações entre pai e filha e entre mãe e filho sejam ambas proibidas, apenas a última é tida como incestuosa. Pelo mesmo motivo, relações entre um homem e sua tia, irmã de sua mãe, ou sua prima por parte da família materna também são proibidas. Entretanto, relações entre um homem e sua tia, irmã de seu pai, não são incestuosas – e casamentos entre homens e suas primas por parte da família paterna são comuns.

- Índia e Mundo Árabe: da mesma forma que em muitas áreas do mundo árabe, supõe-se que, no sul da Índia, cerca de metade dos casamentos ocorram entre primos de primeiro grau ou parentes próximos, notadamente tios e sobrinhas. No norte da Índia, considera-se a prática anormal.

- Ocidente: na maior parte dos países, o incesto relaciona-se aos laços sangüíneos. Nessa acepção, quase universalmente são proibidas relações entre os membros da família nuclear biológica: mãe e filho, pai e filha e irmãos. Nos dois primeiros casos, inclusive, acrescenta-se ao estigma do incesto a recorrência da pedofilia. Relações entre tios e sobrinhas ou tias e sobrinhos, especialmente se os tios em questão forem irmãos biológicos dos pais, também costumam ser estigmatizadas, mas, à medida que o fator sangue se torna mais distante, as relações crescem em aceitação. Primos de primeiro grau não podem se casar em alguns estados norte-americanos, por exemplo, mas em outros lugares – inclusive dentro dos próprios Estados Unidos –, isso é perfeitamente possível. No Brasil, não prevalece qualquer condenação nesse sentido. Relações entre parentes ligados por casamento ou afinidade são mais flexíveis. Embora uma relação, por exemplo, entre uma madrasta e seu enteado seja malvista, a condenação não recai sobre uma suposta característica incestuosa, mas sobre o caráter dos envolvidos e o prejuízo a terceiros (no caso, o pai). Há certa polêmica quanto às relações praticadas entre pais e filhos adotivos. Para efeitos legais, considera-se incesto, já que os filhos adotivos, via de regra, têm o mesmo status que os naturais.


História e religião

O tabu do incesto, portanto, é universal porque todas as sociedades, ao classificarem certos casamentos entre parentes como incestuosos, os proíbem. Entretanto, as diferentes noções familiares fazem com o que seja considerado incesto em um lugar não seja necessariamente em outro. A história humana tem exemplos em que o incesto já foi, inclusive, louvado dentro de certas conjunturas sociopolíticas. O caso mais conhecido é o do Antigo Egito, quando era desejável o casamento entre irmãos membros da família real, grosso modo como forma de preservar a pureza da família.

Na religião, há casos de incesto nas mitologias de vários povos e referências até mesmo na Bíblia. A passagem mais notória é a de Lot, o mesmo que teve a esposa transformada em sal na fuga da cidade de Sodoma, supostamente destruída por Deus. Consta que suas filhas o teriam embebedado e cometido incesto com ele durante a viagem...


Faz mal para a saúde?

Um dos argumentos mais recorrentes para justificar a condenação ao incesto é que seria uma forma de evitar a proliferação de doenças congênitas entre indivíduos que, por se originarem de pessoas da mesma família e serem geneticamente muito semelhantes, teriam mais chances de expressá-las. Trata-se, portanto, de um argumento biológico.

Embora haja um quê de verdade nisso, a idéia é pouco consistente, pois, para se tornarem efetivamente um problema, essas doenças dependem do tamanho da população. Em outras palavras, quanto maior o número de pessoas, mais limitado o problema – e há de se considerar os avanços da medicina.  Ademais, nas populações pequenas, embora haja um crescimento inicial dessas doenças, a tendência é sua redução posterior, pois pessoas com falhas genéticas ou doenças congênitas graves tendem a não se reproduzir, diminuindo a proliferação genética defeituosa.

Dessa forma, o tabu do incesto é quase totalmente de origem social e parece estar mais ligado a valores e interesses dessa esfera, inclusive econômicos.

sábado, 22 de junho de 2013

José eduardo dos Santos desculpa-se da juventude angolana


Luanda  - Discurso pronunciado por José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, no encontro com Associações Juvenis e Estudantis

Fonte: Angop

José Eduardo dos Santos, PR de Angola
SENHOR MINISTRO DA JUVENTUDE E DESPORTOS, SENHOR PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DA JUVENTUDE, ESTIMADOS CONVIDADOS, CAROS JOVENS,

Estão aqui presentes os dirigentes das Associações Juvenis e Estudantis mais representativas do país e é com muito prazer que saúdo em vós toda a juventude angolana, de Cabinda ao Cunene, desejando a todos os jovens boa saúde e muitos êxitos no seu trabalho e estudo.

Hoje, na nossa sociedade, as pessoas exprimem as mais diversas opiniões sobre o comportamento e a atitude da juventude na sociedade e face aos problemas nacionais.

Uns dizem que os jovens não respeitam os nossos usos e costumes nem as nossas tradições, mesmo quando elas não são negativas; que não assimilam os princípios e valores morais e éticos de que são portadoras as gerações dos seus pais e avós, revelando uma educação deficiente ou mesmo falta de educação.

Outros afirmam que os jovens estão a consumir cada vez mais bebidas alcoólicas e drogas proibidas, envolvendo-se por vezes em actos anti-sociais. Isto é verdade, mas também é verdade que é uma minoria que tem esse comportamento e essas atitudes negativas.


A imensa maioria dos jovens deste país tem uma consciência política e patriótica elevada, é educada, está consciente dos seus deveres e contribui para o desenvolvimento nacional. É por isso que devemos trabalhar todos juntos - Governo, Partidos Políticos, Igrejas e Sociedade Civil em geral - para recuperarmos todos os que se estão a desviar do caminho certo, estudando bem as causas desse comportamento e encontrando para ele as soluções adequadas.

Em todas as etapas e fases da nossa História a juventude foi sempre a força principal em que os dirigentes máximos se apoiaram para conseguir transformar a sociedade. Foi sobretudo a juventude que pegou em armas para combater contra o colonialismo e para vencer as forças do Exército do 'apartheid' no Cuito Cuanavale e foi também a juventude que criou as condições no terreno para a obtenção da paz.

Agora, na fase da reconstrução nacional, a força activa, a força de trabalho para a mudança, continua a ser maioritariamente constituída por jovens. São sobretudo jovens também os que estão nos nossos centros de formação profissional, nos institutos médios e superiores e nas universidades, a prepararem-se para o futuro.

o Governo apostou sempre na juventude. A maior parte dos seus programas destinam-se à resolução dos problemas dos jovens, porque eles constituem a maioria da população. É evidente que ainda não alcançámos a prosperidade para todos e não vivemos num mar de rosas. Mas vencemos o abismo em que nos encontrávamos e em que o país parecia não ter futuro.

Agora temos também desafios, como tivemos no passado, mas construir um futuro para todos está ao nosso alcance. Basta que cada um - dirigente, quadro, trabalhador, professor, empresário, homem, mulher, jovem, etc. - assuma com consciência o seu papel social e no seu posto realize o trabalho que lhe cabe.

Para o país, ontem foi pior do que hoje e o amanhã pode ser melhor do que hoje. Tudo depende de nós. É preciso acreditar, ter confiança em nós próprios e trabalhar juntos. O bom futuro para todos só pode ser o resultado de um bom trabalho de todos feito a favor do desenvolvimento da Nação angolana.

O Governo continua a contar com a participação de toda a juventude. Neste processo, é fundamental o diálogo e a concertação de ideias para a procura de consensos à volta de programas e projectos de interesse colectivo, porque reforçam a compreensão e facilitam a mobilização para a aplicação prática desses projectos.

o Governo e as Associações Juvenis e Estudantis podem aprimorar as Vias desse diálogo para que seja mais fluido e útil para todos e para o país. Angola está em reconstrução e todos os que por aqui passam dizem que o país está a mudar para melhor desde que conquistámos a paz. É preciso defender a paz, manter viva a esperança e a confiança no trabalho do nosso povo.

Eu agradeço a vossa presença e vou ouvir agora as vossas declarações e preocupações.
Estamos juntos!

 

terça-feira, 26 de março de 2013

Cidadaos afirmam ter casa própria em luanda está entre o sonho e pesadelo para muitos


As razões de tal afirmação advém do facto dos cidadãos estarem sujeitos a passar por diferentes processos jurídicos legais para concessão de uma parcela de terra ou uma residência, através das administrações municipais, situação que os leva a considerar o processo como um pesadelo e sonho para muitos o propósito de ter uma casa em Angola.

 

Os interlocutores ouvidos pelo Factual afirmam que o processo de concessão de uma parcela de terra e residência em Luanda através das administrações municipais leva os requerentes a furtarem-se das suas responsabilidades familiares com os filhos, na medida em que têm de estar mais fora de casa do que próximo delas, a perder horas de trabalho em suas empresas, a passarem noites em residências alheias, e a madrugarem para conseguirem os primeiros lugares na lista de adestramento.
 

Benjamim Israel de 30 anos de idade residente em Luanda opinou que os planos habitacionais criados pelo executivo angolano para a beneficência da população, no caso os planos de auto construção, de construção dirigida, de cedência de uma residência ou parcela de terra através das administrações de Cacuaco, Viana, Belas estão viciados de irregularidades.

 
Benjamim que vive há 20 anos em residência arrendada contou que ter casa própria em Angola é tão difícil como conseguir um emprego, pois as exigências chegam a ser semelhantes, facto que leva os necessitados a enveredarem por processos ilícitos como o da corrupção e uso de meios menos apropriadas pela lei de concessão de terra para a requisição das mesmas.

 
“O Ministério do Urbanismo e Habitação através da aprovação do Orçamento geral do estado para este ano, pensou em apostar na continuidade dos programas habitacionais em curso em todo o país, e penso que não há motivos para que cidadãos carentes venham a dar meios financeiros além dos já estipulados pela Lei, isto é corrupção e desta forma o sonho da casa própria passa a ser um fiasco”, desabafou.

 
Marinela da Costa de 40 anos de idade disse por sua vez que a habitação social em Angola não deve se tornar um negócio de quem já tem alguma coisa na vida, mas de sim, ser uma prioridade de equilíbrio e estabelecimento dos mais necessitados, para que possam contribuir consciente, e pacificamente na reconstrução nacional para o bem-estar social.

Vale recordar que no passado mês o Ministério do Urbanismo e Habitação José Silva garantiu o apoio e um acompanhamento na execução das novas urbanizações, que apresentam programas de construção dirigida, que vai consumir 60 por cento da verba do OGE destinada ao sector habitacional.

“O Executivo está a incrementar a oferta, o que vai possibilitar que mais interessados acedam às habitações integradas nos diferentes projectos de construção. O OGE para 2013 prevê receitas e despesas avaliadas em 6.635.567.190.477,00 (seis triliões, seiscentos e trinta e cinco mil biliões, quinhentos e sessenta e sete milhões, cento e noventa mil e quatrocentos e setenta e sete kwanzas)”, concluiu.

Materiais de construção com preços altos
Os altos preços dos materiais de construção nos mercados de Luanda continuam altos, desde o ano de 2009 em que o sector imobiliário começou a atrair as atenções de investimento privado na área de construção, facto que afasta os cidadãos da corrida para a auto construção, pois terão de depender dos preços dos materiais de construção para a construção de suas residências.

O Factual percorreu alguns mercados e constatou o elevado preço do Cimento 50kg a 950 Kwanzas, Varões a 24 mil Kwanzas, Madeiras entre 13 a 10 mil Kwanzas dependendo da quanlidade e da quantidade a levar, Bugalhos a 35 mil Kwanzas por 3 milimetros quadrados, Areia e 20 mil Kwanzas por 3 milimetros quadrados e outros meios de construção. 
Segundo Samora Kitumba, técnico do Ministério da Economia fez saber que actualmente apenas dois por cento das 50 mil empresas angolanas identificadas são exportadoras e pertencem ao sector extractivo. A afirmação foi feita no Encontro Nacional de Balanço do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento e Combate à Pobreza, que decorreu no município de Wako Kungo, província de Kwanza Sul.

 vale recordar as palavras do Vice presidente da Republica Manuel Vicente a quando do Forúm Nacional Sobre Empreendedorismo ao considerar que as dispesas de importação para os materiais de construção cifrou-se em 17 mil Milhões de Dólares, e recomendou a criação de mercados nacionais rentáveis para a integração de todos os jovens em mercados estruturais, facilitando assim as suas necessidades.

Depois de Luanda Bengo, Cabinda, Lunda Norte, Zaire, Malange, Kwando-Kubango, Namimbe, Benguela, Huíla e Lunda Sul são algumas das províncias que vão acolher novas centralidades habitacionais, proporcionando às suas populações o acesso condigno à habitação e a um conjunto de serviços e equipamentos que irão contribuir para uma melhoria significativa das suas condições socioeconómicas.

 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Congoleses cometem maioria dos crimes em Cabinda


Cabinda - Os cidadãos do Congo Democrático lideram as estatísticas de criminalidade em Cabinda, ocupando a maior comunidade prisional em todas as unidades penitenciárias no enclave. Um destacado oficial da policia disse que cerca de 95% dos crimes graves cometidos em Cabinda são cometidos por congoleses.

Fonte: VOA

Segundo a polícia de Investigação Criminal a tendência é crescente em virtude da vulnerabilidade das fronteiras com os congos e de muitos se encontrarem numa situação migratória ilegal.

De acordo com o director da polícia de Investigação criminal em Cabinda superintendente-chefe, Oliveira da Silva, em cada 20 criminosos detidos por assaltos à mão armada, crimes de furto, violação sexual e roubos, 19 são da RDC e apenas um é angolano.

Esses indicadores são preocupantes pelo facto de muitos desses detidos serem marginais altamente perigosos e terem cumprido penas de prisão naquele país vizinho e acarretam custos ao estado angolano.

Oliveira da Silva referiu-se ao facto da esmagadora maioria da população prisional ser composta por congoleses o que acarreta enormes gastos ao estado angolano.

Os congoleses democráticos para além de dominarem a população prisional, segundo Oliveira da Silva, estão a introduzir práticas criminais que ontem eram atípicos em Cabinda. Adverte a existência de novos métodos de burla por defraudação e de falsificação de moeda estrangeira.

Oliveira da Silva pediu a colaboração da população no combate à imigração ilegal controlando a estadia de estrangeiros no pais e denunciando todo aquele que se achar no nosso território em situação migratória ilegal.

*Foto: comissário Eusébio Almeida e Costa


 

 

Eugénia Neto começa a ser julgada em Portugal


Lisboa - Começou em Lisboa o julgamento de Maria Eugénia Neto. A viúva do ex-presidente angolano Agostinho Neto é acusada de difamação, por chamar "desonesta e mentirosa" à coautora do livro "Purga em Angola", Dalila Mateus.

Fonte: DW

O Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, é o palco do julgamento de Maria Eugénia Neto, acusada de difamação pelas declarações que esta fez numa entrevista concedida à revista "Única" e publicada no jornal português Expresso de 5 de janeiro de 2008.

A queixa-crime apresentada pela investigadora Dalila Cabrita Mateus contra a viúva do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, resulta das afirmações da arguida, que nessa entrevista qualificou a historiadora portuguesa de "desonesta e mentirosa".

Dalila Mateus, coautora do livro "Purga em Angola", publicado em 2007, sentiu-se seriamente ofendida depois de ler na referida entrevista a resposta de Eugénia Neto à questão colocada por dois jornalistas do Expresso a propósito das anunciadas 30 mil mortes resultantes do 27 de Maio.

Esta data tem a ver com os acontecimentos ocorridos em 1977 e nos anos seguintes à contestação interna liderada por Nito Alves contra o rumo que então seguia o Movimento Popular de Libertação de Angola, o MPLA.

Difamação?

À DW África, Miguel Faria de Bastos, advogado de defesa da arguida, explicou que, neste processo, o que está em causa é "saber se o comentário [de Maria Eugénia Neto] tem caráter difamatório." Ou seja, se efetivamente, não dignifica a autora do livro "Purga em Angola", referiu.

Será este o mote do julgamento que decorre até o dia 13 de março. Na primeira sessão desta quarta-feira (27.02.2013), dirigida pela juíza Ana Paula Figueiredo, foram ouvidos a lesada Dalila Mateus, bem como o jornalista José Pedro Castanheira, que conduziu a entrevista exclusiva com a colega Cândida Pinto.

No final da audiência, o advogado da queixosa, Sérgio Braz, preferiu não prestar declarações até que esteja concluído o julgamento. Numa reação prévia a um e-mail endereçado pela DW África, Dalila Mateus apenas manifestou confiança na justiça portuguesa e na independência do poder judicial.

Pesquisa intensiva

Entrevistada pela DW África em maio do ano passado, a propósito dos acontecimentos de 27 de maio de 1977, a investigadora explicou ter começado a fazer entrevistas a antigos presos políticos devido à sua tese de doutoramento.

Ouvi presos de Angola, de Moçambique, da Guiné que me contaram todas as torturas infligidas pela PIDE", a polícia política da ditadura portuguesa. "Depois, para o livro sobre o 27 de maio ouvi os presos angolanos narrar tudo aquilo que sofreram nas cadeias." Muita documentação que sustenta o trabalho da pesquisadora, as gravações e as transcrições de todas as entrevistas, está depositada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, acrescentou Dalila Mateus.

O livro "Purga em Angola" escrito em parceria com o marido Álvaro Mateus, que já vai na oitava edição, é resultado de uma aturada pesquisa para a sua tese de doutoramento. No tribunal, a historiadora sustentou que as declarações da viúva de Agostinho Neto põem em causa todo o seu trabalho de investigação.

O julgamento prossegue esta quinta e sexta-feira (28 e 29 de fevereiro) para audição de outras testemunhas arroladas pela queixosa, entre os quais o historiador Fernando Rosas. O ex-presidente da República Portuguesa, Ramalho Eanes, uma das testemunhas da defesa, deve prestar depoimento por escrito.
fonte:

 

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Jornalista Bussulo Dolivro lança Online a Obra poética Laços de Emoções

 
 
 

Luanda – O jornalista e escritor Bussulo Dolivro vai, através das redes sociais, publicar nesta quarta-feira, em Luanda, a nova obra literária “Laços de emoções”, que retrata respostas e consequências da falta de experiências de alguns jovens.

“É uma obra literária composta de sentimentos reais, lida directamente de pessoas que testemunharam fases difíceis de solidão, angustia e desespero. E estas pessoas estão dispostas a esquecer o universo melancólico de amarguras que vivenciaram, através da partilha de novas histórias e vidas novas”, disse o autor.

“As pessoas estão cansadas de ver as suas vidas rotuladas de falsas expectativas, antes do seu relacionamento e durante a fase de namoro, situação que chega a retrair as perspectivas sociais e famílias das mesmas”, acrescentou em declarações à Angop.

O autor contou que as emoções retratadas na obra são respostas ou consequências da falta de experiências de alguns jovens, que concluíram levar uma de vingança e experiências fortemente negativas.

Explicou ainda que a obra é também uma espécie de enunciado, onde a composição poética aparece na primeira e terceira pessoa, entrelaçando a fala de quem quer desabafar, amar, viver ou ser ouvido.

“Cada poema representa uma alma, uma história, uma narração viva, onde em alguns laços o leitor acabará por sentir a emoção de viver a vida, uma vez num minuto”, realçou.

De acordo com a fonte, a edição da obra no formato E-book é dirigida aos internautas casados e adolescentes de países lusófonos, podendo ser baixada no site www.ebookangola.webnode.pt.

A mesma foi inspirada de cinco histórias reais, onde as pessoas lesadas, já não sentiam vontade de viver, porque perderam alguém que tanto amavam, e por falta de novas histórias em suas vidas.

Bussulo Dolivro, pseudónimo de Francisco Bussulo, escreve há 16 anos, o seu primeiro livro “Gritos e Penumbras” foi publicado pela Soletrar Editora em 2009, dentre os seus artigos lançados em Semanário estão O Sono Da Verdade (Crónica), Noites Canibais

(Conto), O Verbo (Poesia); Tragedia No Atlântico (Crónica), Miopia (Poesia); Sepultura Do Futuro (Crónica) e Rebanho (Poesia).

 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

LIVRO DE POESIA LAÇOS DE EMOÇÕES

Laços de Emoções é uma obra literária composta de sentimentos reais, lidas directamente de pessoas que testemunharam fases difíceis de solidão, angustia e desespero. E estas pessoas estão dispostas a esquecer o universo melancólico de amarguras que vivenciaram, através da partilha de novas Histórias e vidas novas. Cada poema nesta obra representa uma alma, uma história, uma narração viva, onde em alguns laços o leitor acabará por sentir a emoção de viver a vida, uma vez num minuto.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Bairro Candua, meliantes violam moradores


Duas famílias foram violadas depois de serem assaltadas no princípio da semana 18 à 25 de Junho por volta das 2horas da madrugada no bairro da Candua, localizada na fronteira entre os municípios de Cazenga e Sambizanga.

 

Os meliantes que penetraram através da cobertura da casa, faziam-se acompanhar de armas de fogo, duas pistolas, uma arma AKM, facas e um pau de Basebol americano, nas duas residências levaram três botijas de gás butano, uma máquina de lavar, dinheiro avultado em 70 mil Kwanzas e violaram duas cidadãs.

 

Das vítimas violadas na primeira residência está a mãe de 40 anos, e a filha de 13 anos de idade, tudo pela renitência demostrada por ela quando um dos meliantes exigiu, que o dessem o telemóvel escondido, posteriormente, um dos meliantes agarrou a força sua filha e estuprou-a.

 

Os vizinhos de nada puderam fazer para intervir, senão ligar a polícia, uma vez os meliantes encontravam-se fortemente armados, em contrapartida, a comunicação com a polícia não surtiu efeito desejado, facto, que fez com que os meliantes perpetrassem noutra residência vizinha, há seis metros de distância.

 

No assalto perpetrado na casa vizinha, os amigos do alheio, somente levaram dinheiro, e como se não bastasse, violaram uma jovem de 16 anos, gravida de seis meses, e na mesma, os vizinhos nada poderam fazer, tão-pouco a polícia acorreu ao incidente, para socorreu aquelas famílias, que se encontram, agora em estado de choque, e traumas emocionais.

 

A mãe violada apresenta ferimentos em quase toda parte externa do troco, pelo facto de ter sido espancada, enquanto, que as duas adolescentes, estão sob cuidados médicos intensivos, em casa de seus familiares, pois, apresentam ferimentos entre os órgãos genitais.

 

O Factual ouviu alguns dos familiares assaltados naquele bairro, que manifestaram-se lesadas e desprezadas pelo facto de não terem sido socorridas a tempo pela polícia, e acrescentam não se tratar da primeira vez que sofrem tais actos no bairro, pois os meliantes têm do bairro da Candua a vítima das suas necessidades por falta de policiamento e luz eléctrica.

 

Moradores do bairro Candua, pedem que se faça uma recolha policial imediata, por considerarem perigoso o bairro que alberga mais de 9 mil famílias.

 

Lorena da Silva de 60 anos disse ao Factual, que necessitam da presença da polícia durante toda a noite, dado número de violações, assaltos e a falta de luz eléctrica na zona.

 

O Factual procurou saber da 31ª Esquadra policial, cita nas há dois Km de distância do bairro, estes revelaram que os seus agentes não estão autorizados para o policiamento daquele perímetro entre os bairros Petrangol, Mabor e arredores do mercado dos Kwanzas.

Crianças de Cana cassala anseiam por dias melhores


 

 
Bengo

A falta de espaços culturais e de lazer, como pequenos parques infantis, creches e lares de recriação na comuna de Cana-Cassala, província do Bengo, está a preocupar o corpo docente e familiares que residem há mais de 15 anos naquela localidade da cidade de Caxito.

 

A comuna, que conta somente com uma escola do primeiro ciclo, não possui espaços de lazer para os estudantes da primeira classe, tão-pouco projectos diversificados para a diversão dos mais petizes. Esta situação está a retrair a motivação dos familiares que consideram prioritária a existência destes espaços para o desenvolvimento sadio das crianças.

 

Cana-Cassala, que está a ultrapassar as dificuldades sociais e de integração comunitária anteriormente visíveis, carece, actualmente, de mais apoio para a sua integração cultural, social e económica, a fim de satisfazer as exigências das mais de 500 crianças residentes na comuna.

 

Crianças ouvidas pelo Factual manifestaram a necessidade da existência de pequenos centros comunitários para a sua diversão, durante as férias, após as aulas e nas actividades infanto-juvenis.

 

Argumentaram que das vezes que assistiram às actividades de género em nada lhes valeu, por faltarem cenários lúdicos para a sua felicidade.

Domingas Mendes, de 12 anos, revelou ao Factual ter sido abusada pelos seus tios no município do Úcua, porém, a sua vida começou a melhorar assim que encontrou uma escola na comuna de Cana-Cassala, mas espaços de recreação ainda constituem um sonho para completar as suas ansiedades.

 

Professores ouvidos pelo Factual explicaram tratar-se de uma iniciativa que depende de todos, mas que se necessita de recursos financeiros e logística suficiente para a criação de espaços culturais, nas escolas e no interior da comuna. Ademais, o executivo local deve orientar as administrações para localizarem terrenos favoráveis para a construção de tais espaços.

 

No mês de Junho, crianças daquela localidade da cidade de Caxito estão quase esquecidas, dada à falta de interactividade com o seu mundo infantil, à lavra, ao trabalho doméstico forçado e à venda de pequenos víveres ao longo da estrada que dá acesso à cidade de Caxito, sendo uma obrigação dos pais, depois das aulas, tanto no período da manhã como no período da tarde.

 

O relatório de seguimento das metas da CIMEIRA MUNDIAL PELA INFÂNCIA DE 2000 indica que o Estado angolano consagra prioridade à criança e estabelece o princípio de que a protecção à família e a promoção do desenvolvimento harmonioso da personalidade da criança e do jovem é uma responsabilidade do Estado, da Família e da Sociedade.

 

Nesta base, o Parlamento angolano ratificou, em Novembro de 1990, a Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989.

 

 

Moradores inseguro no bairro Deolinda Rodriguês em Cacuaco


 

Roubo durante as noites, assaltos a mão armada, violações a menores enche de pânico e insegurança os moradores do bairro Deolinda Rodrigues no município de Cacuaco há mais de um mês.

 

De acordo com as informações dos moradores o bairro tem registado assaltos a mão armada durante as noites e as madrugas por indivíduos desconhecidos, que levam consigo as motorizadas, botijas de gás butano, fogão, dinheiro dos moradores e em alguns casos acabam por estuprar as vítimas.

 

Os meliantes em número de cinco jovens assaltam com frequência as residências através de armas de fogo, a partir das 1h da madruga, e têm como destino a estrada que liga o município de Viana, uma vez ser a alternativa viável para não escaparem da policia que se encontra na Vila de Cacuaco ou a da Vidrul.

 

No princípio deste mês, Setembro seis residências foram assaltadas por indivíduos desconhecidos, duas no período da tarde e as restantes a madrugada nas quais levaram consigo bens avaliados em cerca de 90 mil Kwanzas, e chegaram a violar uma cidadã de 36 anos de idade.

 

O bairro Deolinda Rodrigues constituído socialmente por cidadãos necessitados, umas em casas de bate-chapas apresenta-se vulnerável pela falta de rondas policiais, que restituíssem a tranquilidade aos demais cidadãos sequioso da intervenção policial.

 

O Factual constatou também que o bairro carece de água potável e energia eléctrica, razões que acrescem a insegurança dos moradores, uma vez serem consumidores de água das cisternas vendidas por camionistas.

 

Francelina Gomes de 40 anos disse comprar um recipiente de água de 25 Quilos a 40 Kwanzas, e quando os camionistas não entram no bairro os moradores são sacrificados a percorrer três Quilómetros a pé até a via expressa que liga o município de Viana a fim de interpelar um camionista, que os possa vender o precioso líquido.

 

De acordo com a coordenação do bairro Deolinda Rodrigues, que existe há dois anos, a falta de um policiamento, água e energia eléctrica estão em causa da insegurança dos moradores.

 

A mesma coordenação solicita a administração municipal um reconhecimento jurídico e consequentemente um posto policial para acabar com as façanhas dos meliantes.      

 

 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lançamento de gritos e Penumbras Bussulo Dolivro

A editora Soletrar vai apresentar terça-feira, às 10H00, na sala de conferências do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), o livro de poemas, intitulado “Gritos e Penumbras”, da autoria de Francisco Bussulo.
O livro, o primeiro do autor, é composto por 50 poemas, escritos em 50 páginas, e tem uma tiragem inicial de mil exemplares. Nos seus versos, Francisco Bussulo faz um retrato crítico do quotidiano da sociedade contemporânea mundial.
O livro, número um da colecção “Sociedade de Letras”, não apresenta um cariz amoroso, mas sim de advertência social “ao homem pelos males causados ao seu próximo, na sua incessante busca pelo poder, numa sociedade cada vez mais aberta e moderna”.
Para Francisco Bussulo, o livro “Gritos e Penumbras” é uma análise psicológica do dia-a-dia que leva cada leitor a fazer uma introspecção da sua vida. “Quem ler os poemas pode tirar as suas próprias conclusões, apesar das sátiras existentes no livro”, realçou.
Fazendo um apelo especial à busca do homem pelo poder, o livro não procura, diz o autor, julgar as pessoas, mas sim as suas acções. “É preciso mostrarmos às pessoas um pouco da realidade provocada pelo modernismo. Embora a poesia não seja o melhor veículo para passar esta mensagem, procurei enviar um recado construtivo em cada verso dos poemas”.

O título, criticado pelo sociólogo Zeca Branco, da Universidade Piaget e os professores de História de África e Língua Portuguesa, da Universidade Agostinho Neto (UAN), Júlio Mendes e Daniel Muanza, foi prefaciado pelo docente e crítico literário Bukusu Anchim, da Universidade Agostinho Neto.
No prefácio do livro, o professor universitário Bukusu Ndongala Achim escreve que na linguagem dos poemas de “Gritos e Penumbras” há afirmação de uma dualidade, em que o autor faz transpirar e transparecer o sentimento profundo de um ser.
Francisco Bussulo desde muito cedo começou a revelar-se no mundo literário, tendo visto os seus primeiros artigos publicados no semanário O Independente, passando nesta altura a colaborar no “Suplemento Cultural IN”.
É actualmente professor, estudante de jornalismo e membro da revista literária “SoletraR” do município do Cacuaco.


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