terça-feira, 10 de novembro de 2020

CRÓNIKA - As batas brancas de Grilo e os pulmões de Lutukuta

O meu avô pediu que fosse a mesma barraca onde, vezes sem conta levava um copo contido um líquido transparente, desde os meus instintos de infância, desconhecia o sabor e o cheiro, confesso a mim mesmo, que fui mais fiel que as crônicas bíblicas do Antigo Testamento, em não saber, que se tratava da água, que hoje é também do meu chefe. Faltando 15horas para o reinício de mais uma odisseia, milhares de alunos darão corpo ao manifesto, num clima de incerteza sobre a contenção ou a incubação do vírus chinês em Angola, um verdadeiro emulador de nossos sonhos.


O meu avô tinha o hábito de dissuadir-me sempre, que tomasse uma ideia como acabada. E eu sentia-me aquietado com a sua áspera atitude de acumulador de saberes, quando me orientava sobre a vida em tempos de crise. Estávamos a viver os anos idos da fome de 92, agora sinto a sua voz em cada silêncio da conferência de imprensa a pedir, que regressasse com aquele copo de água transparente. — Não quero meu neto, regressa com esse copo, chega, eu já não posso morrer do meu orgulho. — Neste instante, sem ninguém para esconjurar o ambiente pesado que amolesta meus pensamentos, regressar à escola é uma atitude, que só ele poderia me mostrar aos dedos, tal como fez, para sobreviver no 27 de Maio. Sinto-me impudico, sem forças.

A minha mãe agrave a narrativa! Encontrou a bata, que já tinha jogado na lama. Para sobreviver vou necessitar dos pulmões da ministra Silvia, pois não há álcool gel em casa, e na escola defecamos no capim.

Bussulo Dolivro
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terça-feira, 13 de outubro de 2020

CRÓNIKA - Carlos Rosado e o fim das rosas na imprensa angolana

A rua Antônio Savimbi de Roberto é a que mais congrega os principais intelectuais da Cidade de Novais. É de lá onde o intrépido revolucionário e reformista de pena moderna afrikana de ideias de Nkwamen Krumah e Nito Alves recebe à nudez da rua todos seus tagarelas para contrária o indismentível ou desinformar a opinião pública — Kalupeteka é o seu nome. O incansável falador de TV, magro de 1,85cm de barbas e cabelos às imagens nostálgicas oitocentistas tem consigo um molho de chaves para coçar as barbas e matar os piolhos; nos bolços um cartão de militante com o № da rua dos miseráveis da Mutamba expõe como a fênix da eternidade.

É de costume Kalupeteka ter alucinações, durante as entrevistas perde o latim e zumbe os desastrosos culpados pelo seu afastamento do comitê dos diabos. "Estamos perante uma sucessão criminal gravosa da constituição de Angola, da Lei de Imprensa 1/17 de 23 de Janeiro e da ERCA 2/17 de 23 de Janeiro". Na tentativa de perceber do que ele espumava pela boca, eis que um copo plástico vinícola foi empurrado contra meu sistema kissanguista. 


— Toma e bebe! Nao se pode opinar nada sobre as malas desse país de forma séria, você precisa estar fora de si para ganhar a fé da mentira e a estupidez da política, disse ensurdina. Kalupeteka acrescentou que não percebe o simbolismo da catana na bandeira nacional. — revirei o olhar.

"É sim uma violação da CRA no seu artigo 40, nas alíneas 1 e 2.

O afastamento fabricado de Carlos Rosado e seus antecedentes do Ponto que ia Directo à Mutamba, anexo os artigos 42, 44 e 45 como os golpes de misericórdia à propriedade inteletual.

Kalupeteka empertigou diante ao meu Caça-Palavras, enquanto gorgolejava os 33 centilitros do álcool do Porto abatido pela equipa de Lito Vidigal. — Preciso respirar! Disse ele sufocado por uma máscara suja, com a qual passou no rosto para impedir o suor fazer molho entre as barbas. Esgarou.
— Posso sublinhar mais coisas Sr° fotógrafo!
— Sou Jornalista!
A agudez do cheiro trouxe à memória a privatização da gráfica DAMER.
— O que tem a ver?
— Os jornais Expansão, Novo Jornal, O Mercado e Vanguarda podem ser impressos nas Cônicas dos chineses. Vão desaparecer.

Bussulo Dolivro
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CRÓNIKA - Como matar um político no verão — três métodos para o inimigo ser feliz

 CRÓNIKA

Numa mesa tradicional senta sossegada uma mulher aparentemente contida pelos ventos de um final de semana agitado, nas mãos pesa uma chavena de chá, quente e, de um aroma jasmim de origem egípcia. Respira lentamente, tal como escorrem sobre suas pernas um leite azedo e salgado, mas frio, tal como seus pensamentos patuscantes — naquele instante ela apieda os dedos que recebem um molho de pó acastanhado, spirintox de fabrico russo. Primeiro golpe de repugnância.

Na mesma mesa há uma reunião fatídica, mas debaixo, entre os pés dela e o da mesa, um político é convidado a conhecer um discurso de ralé, enquanto perde as estribeiras da ética elitista sublinhadas por Maquiavel, — aqui ele é convidado a um ritual periférico das massas, de arrostar sua empatia e, quando possível deve introduzir a cabeça num cabaré da aldeia ou da cidade para tomar um chá quente ou sentar sobre a mesa preparada secretamente, enquanto o inimigo aplaude a maciez do seu sudário. O quarto é na verdade uma mortalha. Está dado segundo golpe de misericórdia.

Um galo de penas brancas voa, emcapelado sobre a mesma mesa, mas a mulher já não está lá. E no quarto onde a vítima aguarda pela sua amizade sofre perfurações nos pulmões. O galo fede e alguém recolhe as fezes. Alguém, tão longe une as pedras, e te acorda no meio do exorcismo, — tudo começa a fazer sentido, sonhos, cansaço e miragem. O galo canta, e a dor incomu já faz urdidura. Está dado terceiro golpe de misericórdia.

Bussulo Dolivro 🇦🇴
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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

CRÓNIKA — De quem é o rosto⁉️ Um insulto à pátria!

—A Irene deixou São Vicente nos roubar e não fez nada? Questionou um cidadão de aparência congolesa, mas que falava fluentemente português, — nos roubar, com quem ? Retrucou o outro, tentando reagir que não faziam aparentemente parte da mesma pátria, embora o mercado do Kikolo congregasse um senso de cosmopolita à sobrevivência. Mas o assunto à Maka é o Busto de Neto, e não este, que segundo Rita, vendedora do 30 tem aparência de um Ruandês foragido do M23, isso mesmo, cara de um cidadão dos grandes lagos, um rebelde. "Neto não é assim, o nariz está para Savimbi e os óculos parecem de Holden Roberto", reparou a cidadã de 50 anos.


Se as fotos de JES não figurassem nas ruas de Luanda, a quando do encontro do BP que nomeou Joana Tomás às Costelas da OMA, com o novo busto de Neto no Kwanzas Sul diria, que o MPLA estaria apagar uma bela história personificada em Áfrika. Mas o de pior aconteceu em Mussende bem no ventre das festividades do 1° PR angolano. A tamanha barbaridade artística, não ganha relevo nos signos da Pré-História, e não encontra espaço de reconfiguração na era paleolítica, neolítica nem na dos metais que se compreende pela cultura castrega na Europa há 700 a.C com o surgimento do Bronze, com o qual devem ter forjado este Busto maltratado pelo governo do Kwanza Sul. Quanto custou aos cofres de Capapinha, os artistas que esculpiram vivem no Cantinton ou é de origem congolesa⁉️🙆🏿‍♀️🇦🇴

Os serviços de inteligência dormiram ou se trata se um plano para asfixiar a família netista, agora envolvida em escândalos, que estupraram as finanças do país? Irene Neto, agora tem todas contas congeladas pela PGR.

Irene Neto, antiga deputada do MPLA também já tinha assistido, em Dezembro passado, ao congelamento das suas contas no banco helvético SYZA por determinação do Ministério Público de Genebra. Neste momento a família não sabe se abre um processo crime (ultraje) pelo Busto ou se anda de rastos, pelos chãos da Mutamba em Socorro das contas congeladas ou se apela pelo estudo das imagens deixadas pelo seu pai, que de longe se arquivam dos académicos.

O futuro é incerto, Maria Eugênia Neto não fez parte das sessões festivas de seu marido. Pela primeira vez na História. O que está acontecer?

Bussulo Dolivro 🇦🇴
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