quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Fissuras


FISSURAS 

São fossas sem retorno
A ingratidão de um rei fora do trono,
Perdido no ardil do forno
Por infâmia indelével do suborno!

São fossas sem retorno!
O beijo desperdiçado no outono, 
Estatelado no haste sedutor das 
Pétalas do inverno!

Num silêncio nocturno
Festejam as libélulas taciturnas!
Os portunistas do tempo
Vendedores de urnas!
Em tempo de falsos templos

Apaga-se o olhar ríspido de arrogância, 
De quem se serve da ignorância
Dos indefesos cupidos à fome

São fossas sem retorno, 
Um destino incerto 
Para o cúmulo da exclusão 
De quem se serve no retorno da ilusão!

Abrem-se as clausuras da história,
Lascam-se nas crónicas feridas 
Com verdades ácidas, e impiedosas
armaduras 
nesta Angola, que se escreve e se conta!

Bussulo Dolivro, Poesia inédita.

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