terça-feira, 3 de julho de 2018

Conto africano - Duas Mulheres


Duas Mulheres

HAVIA DUAS MULHERES AMIGAS, uma que podia ter filhos __ e tinha muitos __ e a outra não.
Um dia, a mulher estéril foi a casa da amiga e convidou-a a visitá-la, dizendo:
__ Amiga, tenho muitas coisas novas em casa, venha vê-las!
__ Está bem __ concordou a outra.
De manhã cedo, a mulher que tinha muitos filhos foi visitar a amiga. Ao chegar a casa desta, chamou-a:
__ Amiga, minha amiga!
Trazia consigo um pano que a mulher estéril aceitou e guardou.
As duas amigas ficaram a conversar, tomando um chá que a dona da casa tinha preparado para as duas. Ao acabarem o chá, a dona da casa quis, então, mostrar à amiga as coisas que tinha comprado. Passaram para a sala e a mulher estéril abriu uma mala mostrando à amiga roupa, brincos, prata e outras coisas de valor.
No final da visita, a mulher que tinha muitos filhos agradeceu, dizendo:
__ Um dia há-de ir a minha casa ver a mala que eu arranjei.
E, um certo dia, a mulher que não tinha filhos, foi a casa da amiga. Mal a viram, os filhos desta gritaram:
__ A sua amiga está aqui!
Agradeceram a peneira que ela trazia na cabeça e guardaram-na. Começaram, então, a preparar o chá.
A mãe das crianças chamava-as uma a uma:
__ Fátima!
__ Mamã?
__ Põe o chá ao lume!
__ Mariamo!
__ Sim?
__ Vai partir lenha!
__ Anja!
__ Sim?
__ Vai ao poço
__ Muacisse!
__ Mamã?
__ Vai buscar açúcar!
__ Muhamede!
__ Sim?
__ Traz um copo!
__ Mariamo!
__ Vamos lá, despacha-te com o chá!
Assim que o chá ficou pronto, tomaram-no e conversaram todos um pouco.
Quando a amiga se ia embora, a mulher que tinha filhos disse:
__ Minha amiga, eu chamei-a para ver a mala que arranjei, mas a minha mala não tem roupa nem brincos! A mala que lhe queria mostrar são os meus filhos!
A mulher que não podia ter filhos ficou muito triste e, antes de chegar a casa, sentiu-se muito mal, com dores de cabeça e acabou por morrer.

terça-feira, 19 de junho de 2018

sexta-feira, 18 de maio de 2018

As nossas humildades





É na doçura da despedida onde está o limite das nossas dúvidas, é no gozo de uma vida prestigiosa onde está o orgulho da vida,
é no jogo dos laços da amizade e na entrega sem culpa em que certificamos o que valemos para os outros, e o que os outros têm de valor para nós! 

quarta-feira, 28 de março de 2018

As senhoras de plástcios (CONTO)

Sacudiu a roupa do fio, e a pingo de quem se mostrava cansada foi almofadando a roupa de seu marido no interior do balde, o mesmo balde que antes recolhera de um aterro sanitário, próximo de sua casa. O pequeno quintal esvaziado de gente, que se acomodavam nele em tempo indeterminado a troco de bombo, fuba, óleo de Jiboia, jinguba e outras benesses, estava isolado em pleno sol de Abril. Os inclinos tinham preterido o local por falta de latrinas e libélulas comestíveis. Estes que não permaneciam por muito tempo, nunca deixaram recados sobre suas insatisfações. Talatona sentia-se mesmo assim, indiferente.

A nostalgia dos tempos em que calcorreava o quintal aos berros de crianças, obrigava-a de vez em quando aguçar suas cordas vocais, para silenciar o mutismo natural dos céus, único limite que ela via, sempre que se desfizesse do sossego do chão húmido de sua casa de chapa, para mergulhar em suas tarefas domésticas. Os contos tradicionais, assimilados, de sua avó, enquanto, deglutiam milho torrado com outras meninas a volta da fogueira na sua cidade natal, Huambo, nasciam desafinados, talvez, por rancor de estar entre as garras de quem não conheceu ou mesmo medo, de voltar a ver sua aldeia, e saber como tudo começou para ela se encontrar jogada num oceano maculado de dor. 


UM CONTO NAO TERMINADO, QUE FARÁ PARTE DO MEU LIVRO. 

terça-feira, 6 de março de 2018

excerto da minha obra literária, dedicada às crianças (texto não corrigido)

– Mãe, quanto custa um carro?
– muito dinheiro meu filho, muito mesmo!
– e um carro de lata, voltou a perguntar o menino
– os carros são feitos de latas meu filho, e custam muito dinheiro, respondeu a mãe do menino.
– Então vou fazer o meu carro, estou cansado de passar as férias em casa, gostaria de viajar, explicou ele.
A mãe que se encontrava a fazer o matabicho pela manhã abandonou a cozinha a fim de certificar com quem realmente estava a falar, pois ela ficou admirada pela forma com que o seu filho a respondeu, cheio de entusiasmo e coragem.
– Menino para arranjares um carro precisas de trabalhar, antes de tudo, porque as coisas não caem dos céus, explicou a mãe.
– Não, mamãe! Respondeu ele, olhando para sua mãe, que estava de mãos abertas bem na entrada da cozinha de boca aberta.

– E então?