terça-feira, 19 de junho de 2018
sexta-feira, 18 de maio de 2018
quarta-feira, 28 de março de 2018
As senhoras de plástcios (CONTO)
Sacudiu a roupa do fio, e a pingo de quem se mostrava cansada foi almofadando
a roupa de seu marido no interior do balde, o mesmo balde que antes recolhera de
um aterro sanitário, próximo de sua casa. O pequeno quintal esvaziado de gente,
que se acomodavam nele em tempo indeterminado a troco de bombo, fuba, óleo de
Jiboia, jinguba e outras benesses, estava isolado em pleno sol de Abril. Os
inclinos tinham preterido o local por falta de latrinas e libélulas comestíveis.
Estes que não permaneciam por muito tempo, nunca deixaram recados sobre suas
insatisfações. Talatona sentia-se mesmo assim, indiferente.
A nostalgia dos tempos em que calcorreava o quintal aos berros de crianças,
obrigava-a de vez em quando aguçar suas cordas vocais, para silenciar o mutismo
natural dos céus, único limite que ela via, sempre que se desfizesse do sossego
do chão húmido de sua casa de chapa, para mergulhar em suas tarefas domésticas.
Os contos tradicionais, assimilados, de sua avó, enquanto, deglutiam milho
torrado com outras meninas a volta da fogueira na sua cidade natal, Huambo,
nasciam desafinados, talvez, por rancor de estar entre as garras de quem não
conheceu ou mesmo medo, de voltar a ver sua aldeia, e saber como tudo começou
para ela se encontrar jogada num oceano maculado de dor.
UM CONTO NAO TERMINADO, QUE FARÁ PARTE DO MEU LIVRO.
terça-feira, 6 de março de 2018
excerto da minha obra literária, dedicada às crianças (texto não corrigido)
– muito
dinheiro meu filho, muito mesmo!
– e um
carro de lata, voltou a perguntar o menino
– os carros
são feitos de latas meu filho, e custam muito dinheiro, respondeu a mãe do
menino.
– Então vou
fazer o meu carro, estou cansado de passar as férias em casa, gostaria de
viajar, explicou ele.
A mãe que
se encontrava a fazer o matabicho pela manhã abandonou a cozinha a fim de certificar
com quem realmente estava a falar, pois ela ficou admirada pela forma com que o
seu filho a respondeu, cheio de entusiasmo e coragem.
– Menino
para arranjares um carro precisas de trabalhar, antes de tudo, porque as coisas
não caem dos céus, explicou a mãe.
– Não, mamãe!
Respondeu ele, olhando para sua mãe, que estava de mãos abertas bem na entrada
da cozinha de boca aberta.
– E então?
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
NO COMÍCIO DA FOME
Falou e
não disse nada,
Gritou
calado e apareceu aos cegos!
Pulou e
perdeu o chão
Caiu e
não tocou no chão!
Castigado
pela língua
A esmo
soletrou palavras ambíguas
Lábios
falsos de mentes bêbadas,
Marionetes
da covardia!
Cospem
promessas na geração de milagres,
O
petróleo se esgota e a água no esófago
do pobre
é miragem!
Lábios
falsos de mentes levadas
Lábios
falsos de mentes levadas
Dançam no
desperdício das massas,
E fazem
das almas as massas das afamas,
Ajoelham-se
para morder e rogam promessas
Para
manipular
Usam
vinho para iludir a garganta desértica
De água
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