quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Breve análise da obra - As Aventuras ee Ngunga

A poligamia, a pedofilia e a pobreza rural no centro e sul do país, Angola, durante a guerra contra o colonialismo português, são realidades visíveis nas obras de Pepetela. E As Aventuras de Ngunga não fugiu a utopia literária daquele aclamado escritor. É a obra, que me obriga a preludiar esta nota de leitura sobre sobre as três realidades socioculturais, que enfermam a África milenar. Ademais, está o casamento infantil, que na visão de Anthony Kamba, na sua intervenção em Africa in Fact Journal sublinha, a sua difusão massiva em certas partes do mundo, especialmente na África. Segundo a Unicef -   Os cinco países com as maiores taxas observadas de casamentos de crianças no mundo, com idade inferior a 18 anos, são Niger, Chade, Mali, Bangladesh e Guiné.
Embora Angola não figura nesta lista, tenho a plena certeza, que o processo no interior do país permanece vivo.

Além das Aventuras de Ngunga, que de aventuras nada tem, pois viveu num nível de reactor de sobrevivência, quando as circunstancias não exigiam o contrário, contra o opressor colonial; e impor a ideologia empelista era a ética fervorosa a meio de uma ansia independentista – parabéns Pepetela  

Mas qual é a causa do casamento infantil?
Segundo o pesquisador Goitein, na sua obra A Mediterranean Society: The Jewish Communities of the Arab World  explica, que uma das causas é o “dote” – o dote designa os bens ou propriedades dos pais distribuídos a uma filha em seu casamento, em vez de depois da morte dos pais. Esta tem sido uma prática antiga, mas muitas vezes um desafio económico para a família da noiva. A dificuldade em economizar e preservar a riqueza para o dote era comum, especialmente em tempos de dificuldades econômicas, perseguições, ou a apreensão imprevisível da propriedade e economias por taxas discriminatórias, tais como a Jizya (imposto per capita ). Estas dificuldades pressionavam as famílias a desposarem suas filhas, independentemente da sua idade, assim que tivessem recursos para pagar o dote. Assim, Goitein nota que os judeus europeus casam suas filhas mais cedo, uma vez que já tivessem coletado a quantidade esperada para o dote


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